Histórico do Acesso por Corda

por Everton Moraes


Postado em: 03/04/2018 13:42



No final dos anos 70, as técnicas de escalada e alpinismo foram utilizadas na França como auxílio para

estabilização de encostas. Nesse mesmo período, essas técnicas foram empregadas no Reino Unido

para inspeção externa de prédios que apresentavam problemas de desprendimento de partes da

fachada.

A técnica de Acesso por Corda, como conhecemos hoje, começou a se desenvolver nos meados dos

anos 80, não pelas técnicas de escalada ou alpinismo como muitos acreditam, mas baseada em um

sistema desenvolvido pela espeleologia* no final da década de 60. Para torná-la adequada aos

requisitos de segurança dos trabalhos em altura, foi adicionada uma segunda corda de segurança de

modo que o sistema tivesse um nível de redundância.

Em 1987, com o apoio do Governo Britânico por meio do Health and Safety Executive - HSE, seis

empresas do Reino Unido juntaram-se para criar a Rope Access Trade que originou o Industrial Rope

Access Trade Association - IRATA.

Com a crescente utilização desse método em outros países a partir de 1990, como ocorrido na

Austrália, França, Alemanha, Nova Zelândia, Noruega, África do Sul e nos EUA, foram criadas

organizações para padronizar o Acesso por Corda.

Em 1994, foi publicada a Norma Britânica BS 7985 - Métodos de Acesso por Corda para a indústria.


No Brasil em abril de 2014 foi inserido pela portaria do MTE nº593 o Anexo I da NR35 que determina o método de execução das atividades conforme NBR 15595 -Procedimento para aplicação do método e a NBR15475 – Qualificação e certificação de pessoas.


NR-35 TRABALHO EM ALTURA

Publicação:

Portaria SIT n.º 313, de 23 de março de 2012 

Portaria MTE n.º 593, de 28 de abril de 2014 

Portaria MTE n.º 1.471, de 24 de setembro de 2014

Portaria MTb n.º 1.113, de 21 de setembro de 2016 


ANEXO I

ACESSO POR CORDAS

(Inserido pela Portaria MTE n.º 593, de 28 de abril de 2014)

1. Campo de Aplicação

1.1 Para fins desta Norma Regulamentadora considera-se acesso por corda a técnica de progressão

utilizando cordas, com outros equipamentos para ascender, descender ou se deslocar horizontalmente,

assim como para posicionamento no local de trabalho, normalmente incorporando dois sistemas de

segurança fixados de forma independente, um como forma de acesso e o outro como corda de segurança

utilizado com cinturão de segurança tipo paraquedista.

1.2 Em situações de trabalho em planos inclinados, a aplicação deste anexo deve ser estabelecida por

Análise de Risco.

1.3 As disposições deste anexo não se aplicam nas seguintes situações:

a) atividades recreacionais, esportivas e de turismo de aventura;

b) arboricultura;

c) serviços de atendimento de emergência destinados a salvamento e resgate de pessoas que não

pertençam à própria equipe de acesso por corda.

2. Execução das atividades

2.1 As atividades com acesso por cordas devem ser executadas:

a) de acordo com procedimentos em conformidade com as normas técnicas nacionais vigentes;

b) por trabalhadores certificados em conformidade com normas técnicas nacionais vigentes de

certificação de pessoas; (Vide prazo para implementação no Art. 3ª da Portaria MTE n.º 593/2014 e

prorrogação no Art. 1º da Portaria MTE n.º 1.471/2014)

c) por equipe constituída de pelo menos dois trabalhadores, sendo um deles o supervisor.

2.1.1 O processo de certificação desses trabalhadores contempla os treinamentos inicial e periódico

previstos nos subitens 35.3.1 e 35.3.3 da NR-35.

2.2 Durante a execução da atividade o trabalhador deve estar conectado a pelo menos duas cordas em

pontos de ancoragem independentes.

2.2.1 A execução da atividade com o trabalhador conectado a apenas uma corda pode ser permitida se

atendidos cumulativamente aos seguintes requisitos:

a) for evidenciado na análise de risco que o uso de uma segunda corda gera um risco superior;

b) sejam implementadas medidas suplementares, previstas na análise de risco, que garantam um

desempenho de segurança no mínimo equivalente ao uso de duas cordas.

3. Equipamentos e cordas

3.1 As cordas utilizadas devem atender aos requisitos das normas técnicas nacionais.

3.2 Os equipamentos auxiliares utilizados devem ser certificados de acordo com normas técnicas

nacionais ou, na ausência dessas, de acordo com normas técnicas internacionais. (Vide prazo para

implementação no Art. 3ª da Portaria MTE n.º 593/2014)

3.2.1 Na inexistência de normas técnicas internacionais, a certificação por normas estrangeiras pode ser

aceita desde que atendidos aos requisitos previstos na norma europeia (EN).

3.3 Os equipamentos e cordas devem ser inspecionados nas seguintes situações:

a) antes da sua utilização;

b) periodicamente, com periodicidade mínima de seis meses.

3.3.1 Em função do tipo de utilização ou exposição a agentes agressivos, o intervalo entre as inspeções

deve ser reduzido.

3.4 As inspeções devem atender às recomendações do fabricante e aos critérios estabelecidos na Análise

de Risco ou no Procedimento Operacional.

3.4.1 Todo equipamento ou corda que apresente defeito, desgaste, degradação ou deformação deve ser

recusado, inutilizado e descartado.

3.4.2 A Análise de Risco deve considerar as interferências externas que possam comprometer a

integridade dos equipamentos e cordas.

3.4.2.1 Quando houver exposições a agentes químicos que possam comprometer a integridade das cordas

ou equipamentos, devem ser adotadas medidas adicionais em conformidade com as recomendações do

fabricante considerando as tabelas de incompatibilidade dos produtos identificados com as cordas e

equipamentos.

3.4.2.2 Nas atividades nas proximidades de sistemas energizados ou com possibilidade de energização,

devem ser adotadas medidas adicionais.

3.5 As inspeções devem ser registradas:

a) na aquisição;

b) periodicamente;

c) quando os equipamentos ou cordas forem recusados.

3.6 Os equipamentos utilizados para acesso por corda devem ser armazenados e mantidos conforme

recomendação do fabricante ou fornecedor.

4. Resgate

4.1 A equipe de trabalho deve ser capacitada para autorresgate e resgate da própria equipe.

4.2 Para cada frente de trabalho deve haver um plano de resgate dos trabalhadores.

5. Condições impeditivas

5.1 Além das condições impeditivas identificadas na Análise de Risco, como estabelece o item 35.4.5.1,

alínea ¨j¨ da NR-35, o trabalho de acesso por corda deve ser interrompido imediatamente em caso de

ventos superiores a quarenta quilômetros por hora.

5.2 Pode ser autorizada a execução de trabalho em altura utilizando acesso por cordas em condições com

ventos superiores a quarenta quilômetros por hora e inferiores a quarenta e seis quilômetros por hora,

desde que atendidos os seguintes requisitos:

a) justificar a impossibilidade do adiamento dos serviços mediante documento assinado pelo responsável

pela execução dos serviços;

b) elaborar Análise de Risco complementar com avaliação dos riscos, suas causas, consequências e

medidas de controle, efetuada por equipe multidisciplinar coordenada por profissional qualificado em

segurança do trabalho ou, na inexistência deste, pelo responsável pelo cumprimento desta norma,

anexada à justificativa, com as medidas de proteção adicionais aplicáveis, assinada por todos os

participantes;

c) implantar medidas adicionais de segurança que possibilitem a realização das atividades;

d) ser realizada mediante operação assistida pelo supervisor das atividades.


(Fonte: MTE – Ministério do Trabalho e Emprego).